Então eu tinha me transformado em outra pessoa, e como se isso não fosse estranho o suficiente, eu não era nem mais humana. Me lembro que dês de pequena ouço histórias sobre todo tipo de criatura, mas as de vampiros variavam bastante.
Mesmo assim, se metade de tudo fosse
verdade, Alexandro tinha motivos de sobra para me matar, mas ainda não fez isso.
Por quê?
Logicamente, os vampiros devem dormir
durante o dia, e meus olhos começavam a pesar, eu tentei me recostar na parede para
descansar, mas alguém passou na frente da porta e eu me forcei a continuar focada
― Estranhando
a rotina dos mortais? ― perguntou uma voz debochada
Encarei Alexandro, ele me olhava com
raiva, Bruce (esse cara me persegue, só pode) ao seu lado, e ou eu tinha muita dificuldade
em ler sua expressão, ou ele parecia estranhamente faminto, como se quisesse...
Não, um cara normal não pode ser tão tarado assim, pode?
― O que você
querem? ― perguntei sem encará-los
― Minha melhor
guerreira, a maga Ester, foi encontrada na floresta... Morta. ― por que quando acham que você está morta, todos te tratam melhor?
― O que você sabe sobre isso?
― Nada ― falei ― nem imagino o que aconteceu. Eu sou
inocente poxa
― Quer mesmo
que eu acredite nisso? Ela desapareceu e você estava por perto, mas não tem nada
haver, não é? Talvez um lobo tenha acabado com ela
Bem, não exatamente um lobo
― Há, por favor,
com tantos alvos mais fáceis, por que eu a pegaria?
Ele não pareceu feliz com a minha
resposta.
― Então o que
você estava fazendo na floresta?
Eu não sabia. Quer dizer, não sabia
o que aquela vampira estava fazendo na floresta. Antes que eu pudesse inventar alguma
coisa, Bruce suspirou
― Sério pai,
eu não entendo por que você gosta de interrogar esses bichos ― bichos? ― ela vai ser
morta de qualquer maneira
O modo como ele disse isso fez meu
estomago embrulhar. Claro que eu sabia que esse devia ser o plano deles, mas ouvir
isso sendo falado com tanta naturalidade é muito estranho. Aparentemente,
Alexandro percebeu isso
― com medo da
morte? ― ele riu ― não
devia. Morrer é o fim que todos da sua raça logo encontrarão
Não ousei dizer mais nada para não
soluçar. Mas pelo menos, Alexandro ficou satisfeito com isso. Ele se virou e foi
embora. O que não serviu de nenhum consolo já que Bruce ficou.
― Olhe só como
terminou ― ele disse ― É uma
pena eu não ter tido tempo de cumprir a promessa
― Que promessa?
― perguntei
― Você sabe ― ele deu de ombros ― eu disse que
você seria minha, e é a primeira vez que uma garota escapa depois de eu fazer esse
tipo de promessa
Aquele comentário pareceu tão fora
do momento que eu demorei a entender. Bruce jurou que me teria, mas eu era Ester
naquela época, não tinha como ele saber! Tinha?
― Como você...?
Como sabe...? Isso é...
― Impossível?
― ele sorria loucamente, parecia um doido ― seu pai é meio estranho, mas as propostas dele...
― Meu pai falou
com você?
― Ele queria
algumas informações ― ele voltou a levantar os ombros ― queria que eu garantisse que você não o procuraria depois da transformação,
e também queria seu corpo depois de morta
Me arrepiei, mas tinha algo muito
estranho nessa história
― Se a oferta
era tão boa, por que está entregando tudo?
― Espertinha
― falou ― muito
bem, acontece que eu posso te deixar fugir. Renuncio tudo que ele ofereceu... Mas
quero algo de você... Ou melhor... Eu quero você!
Meu coração batia a mil por hora.
Não, eu não podia aceitar essa oferta
― Eu sei, é difícil
escolher. Até sei que não ira aceitar agora, mas quando quiser, é só avisar
― Prefiro morrer
a escapar dessa maneira!
― Então, que
assim seja
Ele foi embora e me deixou sozinha,
o que me fez lembrar do sono. Me encolhi, mas ficava remoendo o que aconteceu. Em
certo momento pensei se estava mesmo disposta a morrer por orgulho. Este também
foi o momento em que percebi o quanto precisava dormir.
Só passei para dizer que o mascote é o Miku e nem eu sei como ele vai ficar quando crescer