Me levantei cedo. Hora de trabalhar.
O que eu tinha que fazer era muito
simples, alguns lobos selvagens estavam assustando os rebanhos da cidade. Tudo muito
comum.
Eu não precisei procurar nada, mal
comecei a andar pela floresta, um lobo adolescente foi para cima de mim. Eu não
tinha medo. Então ele deu um pulo que podia alcançar minha cara, eu literalmente
o segurei no meio do pulo. Mas o lobo era agitado e tentava lamber minha cara, agitando
alegremente o rabo
É, eu sei que parece estranho, mas
ele estava muito alegre em me ver
― Ei, calma garoto
― sorri ― está
tudo bem
Ele era tão animado que eu fiquei
triste pelo que tinha que fazer. O lobo tinha pelo cinzento e um de seus olhos era
azul e o outro castanho. Der repente, como se subitamente entendesse o que estava
acontecendo, ele foi para trás, choramingando, meus dedos se fecharam em volta da
adaga que eu sempre levava quando ia fazer algo perigoso
― desculpe Nevasca
― falei. Eu nem sabia de onde tirei esse nome,
mas pareceu normal o chamar assim. Só então percebi uma coisa: Ela estava muito
magra ― Não pode ser você quem está assustando o
rebanho. Não anda comendo muito não é?
Ela (de alguma maneira, eu sabia que
era uma fêmea) parecia assentir tristemente, e voltou a se aproximar apenas um pouco,
vacilante. Me abaixei e deixei que ela se aproximar, enquanto ela me deixava acariciar
seu pelo macio
― Você não pode
ficar aqui, apesar de tudo ― ela choramingou
― Não faça isso comigo, sabe que eu gosto muito
de você... ― percebi que não sabia de onde vinham
essas palavras, quer dizer, eu mal conhecia aquela loba ― vou
vir te visitar, ta bem?
Ela me derrubou no chão, eu ria e
tentava evitar que lambesse minha cara
― tudo bem, entendi,
entendi ― tirei Nevasca de cima de mim enquanto recuperava
o fôlego ― acha que consegue convencer outros lobos
a virem?
Ela virou a cabeça como se pensasse
no assunto, depois uivou. Cinco ou seis lobos adultos e mais um grupo de filhotes
apareceram (Poxa, será que a mortalidade infantil entre os lobos é muito grande?
Por que se não for, da pra entender por que os animais têm medo deles). Por alguns
segundos eles pareceram conversar tanto com Nevasca quanto entre si, no fim todos
me olhavam como se esperassem minhas ordens
― ok, então...
Por aqui
Todos me seguiram enquanto eu me afastava
do reino, até chegarmos a um lugar onde eles não poderiam atrapalhar as pessoas
da comunidade. Me abaixei e falei com Nevasca
― Se vocês aparecerem
por perto dali de novo dali de novo, vão ter que sofrer as consequencias, entendeu?
Ela choramingou e se esfregou nas
minhas pernas, mas pelo visto tinha entendido
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Eu estava voltando para casa e tentando
entender o que aconteceu, quer dizer, uma loba tinha feito amizade comigo, e me
amoleceu tanto assim? Como isso é possível?
Parece que só sei o óbvio: Esse foi
um dia muito estranho
Mas pode-se dizer
que foi apenas uma preparação pro dia seguinte.
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Me levantei tão cedo quanto no dia
anterior, eu não tinha trabalho, mas planejava ver se os lobos estavam seguindo
minhas ordens, no entanto, um cara me parou no caminho. Ele devia ter uns dezoito
anos, cabelo loiro e olhos verdes. (Um gatinho, na opinião da maioria, mas A: eu
não sou a maioria B: Ele é velho demais para mim e C: Sou comprometida). Se não
me engano, seu nome é Bruce, e ele é filho do Alexandro.
― Aonde vai,
Ester? ― ele perguntou. Eu queria dizer: Não é da
sua conta
― Dar uma volta,
conhecer a cidade ― respondi casualmente
― Eu a apresento
para você ― ele respondeu sorrindo ― uma garota como você não deve andar por ai sozinha
Andar por ai sozinha? Cara, adaga
e magia não são para tricotar sabe?
― Obrigada pela
oferta, mas eu posso fazer isso sozinha,
― Eu insisto,
belezinha
Belezinha?
― Vejo que na
realidade está me cortejando. ― Ele sorriu
e suspirou.
― Tantas garotas
já se mostraram encantadas por mim, mas você... Você foi a única que realmente conseguiu
ser correspondida
O cara começava a me enojar
― Você... Não
é meio velho para mim?
― O que é a idade,
fofura? Muitas mais novas que você já tentaram me fazer cair em seus encantos, mas
nunca deu certo, até hoje
É hora de jogar as coisas na cara
dele.
― Alteza, eu
sou comprometida.
Nesse momento ele pareceu em choque.
― C-como? Comprometida? Com quem?
― Um garoto de
onde eu costumava morar.
Foi nesse momento que ele me segurou
e roubou um beijo.
Meus olhos se arregalaram e der repente
eu nem sequer me importava que ele fosse meu superior, eu o empurrei para trás com
força. Pode não parecer, mas eu sou mais forte que muito marmanjo. Por isso, ele
foi parar a uns cinco metros, segurando o lugar onde eu tinha empurrado. Ele
gemia, eu não sei se de dor ou de raiva, ou talvez um pouco dos dois.
― Você... Sua...
Quem você pensa que é?
A verdade é que isso podia fazer com
que eu fosse expulsa da comunidade, pelo menos se Bruce fosse um príncipe
mimado. Der repente, Alexandro apareceu.
― hã... Estou
atrapalhando algo?
Fiquei impressionada com a velocidade
que ele se levantou.
― não pai, eu
só... só tropecei.
― certo... ― eu duvido muito que ele tenha acreditado, mas... ― De qualquer maneira, estava procurando Bruce para lembrá-lo
das aulas de equitação.
― Claro, pai
― Alexandro mal virou as costas, a atenção
do garoto voltou a ser minha ― escuta aqui,
garota, nenhuma menina me trata assim, e você vai ser minha, de um jeito ou de outro.
― Isso é uma
ameaça? ― falei, e dessa vez fiz questão de deixar
bem claro como podia ser perigosa, sacando minha adaga.
― Veremos.
Ás vezes me pergunto como consigo
fazer inimigos tão rápido.
Dessa vez consegui um "personagem" huehehe :D olhem a Nevasca ali do lado
Dessa vez consegui um "personagem" huehehe :D olhem a Nevasca ali do lado
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