Naquela noite, coloquei qualquer coisa
barulhenta na frente da porta do meu quarto e deixei minha adaga do lado da
cama. Não queria correr riscos, felizmente nada me acordou.
No dia seguinte, sai do meu quarto
e fui rapidamente até a sala onde o Alexandro geralmente me da minhas missões. Ele
parecia de mau humor.
― Algum problema,
senhor? ― perguntei.
― Se tenho um
problema ― ele praticamente gritou ― mesmo que não haja mais lobos, os animais continuam sumindo ― por algum motivo, ele me olhava com raiva. Poxa, que culpa eu
tenho sobre isso? ― quero que você descubra o que está
acontecendo, entendeu ― por que parece que ele está falando
com uma criança?
― Claro
senhor ― eu estou me controlando para não dar um murro
nele.
― Então vá logo
Nem respondi, para não acabar falando
besteira, mas quando ele não podia ouvir...
― Não recebo
o suficiente para isso
Eu caminhava a passos duros, então
não vi um garoto andando na minha direção e nós trombamos um com o outro, e caímos
― Desculpe, eu
não estava olhando... ― ele falou
― Não, eu também
não prestei atenção ― respondi
Nos encaramos. Eu não me lembrava
dele, tinha a minha idade e parecia diferente da maioria das pessoas desse lugar.
― Então... Qual
é o seu nome? ― perguntei
― Arthur
― Prazer, Ester
― hã, você é
nova aqui, não é?
― um pouco ― ri ― por quê?
― Nada, só que
geralmente não vem muita gente nova por aqui
― eu estava só
brincando ― tive que rir da cara dele, mas foi
quando vi Bruce virando o corredor ― tenho que ir
Dei um “thauzinho” e fui embora. Não
estou nem um pouco a fim de encarar aquele tarado de novo
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Procurei o dia todo pelo que estava
assustando o rebanho, mas não encontrei nada. O sol ia se pondo e eu estava cansada
de andar pela floresta, estava me preparando para voltar quando ouvi alguém me chamando,
no inicio me assustei, mas depois pensei “é só minha imaginação”.
Mas eu fui chamada de novo.
― Quem está ai?
― Perguntei com um pouco de medo
― Um amigo ― respondeu a voz ― um pai
Tremi como uma vara verde,
admito. Mas é que eu tinha uma situação... Especial.
Aos cinco anos eu costumava deitar a cabeça no colo do meu avô e nós brincávamos
um com o outro, rindo e conversando, mas naquele dia eu queria fazer uma pergunta
séria. Já que ele nunca escondeu que não era meu pai
― vovô, por que o papai não liga para mim?
Ele suspirou, era obvio que temia essa pergunta
― Sinto muito, mas seu pai não pode cuidar
de você, minha querida
― Por quê?
― Um dia você entenderá, mas por enquanto,
saiba que ele não faz por mal
Nesse momento eu me encolhia e dormia porque sabia que ele não me diria
muito
Algumas semanas passaram até que meu irmão chegou. É, ele não podia cuidar
de mim, mas ficar engravidando mulheres...
Respirei fundo, essa era uma história
antiga, eu tinha que esquecer. Me aproximei da voz, eu tinha que encontrá-la, de alguma maneira.
Fui guiada pela floresta até uma árvore
enorme. Dei a volta nela e encontrei uma abertura estranha do tamanho de uma porta.
Por dentro ela era totalmente oca e bem capaz de servir de casa. Pensava que isso
fosse coisa de filme
― Gostou do lugar?
― Perguntou uma voz
Só então percebi o homem recostado
a parede contraria, ele tinha um aspecto estranho e estava usando uma capa longa
e preta, e eu não consegui ver seu rosto. Foi difícil lembrar que ele tinha feito
uma pergunta. O lugar não tinha nada de especial, era apenas um circulo de madeira
―
É... Peculiar
― Bom saber que
acha isso, minha querida ― de alguma maneira eu sabia que ele
estava sorrindo, mas isso não me acalmava
― Por que me
chamou aqui?
― Bem ― ele tinha um tom de voz calmo e assustador ― eu queria conversar com a minha garota, afinal, essa é a atitude
de um bom pai, não é?
Por um instante pude ver sua boca.
Ele tinha presas. Mas não como as de um vampiro, sim como os dentes de um tubarão
em uma fileira só
― Você... Nunca
foi um bom pai
― É verdade...
― ele riu ― que
tal passarmos logo ao que interessa?
― E o que interessa
é...?
― Boa sorte
Ele desapareceu
Eu fiquei boiando, mas aquele cara
me deu uma inexplicável sensação de medo. Fechei os olhos. “Está tudo bem” pensei
Grande erro
Quando abri os olhos a árvore tinha
mudado. Ela era belamente mobiliada como uma quarto de casal. Em prateado e dourado
claro, mas no meio disso, uma cadeira com algo... Alguém amarrado dentro de um saco, e provavelmente também
amordaçado. Um homem belo a observava com um sorriso assustador, mas ele
parecia familiar. Tinha cabelo negro, curto e bem aparado, os olhos negros e pele
clara. Der repente percebi com quem ele se parecia. Comigo.
― Não se assuste
― ele falou para o saco ― se colaborar, começando por ficar bem quietinha, tudo será mais
fácil e mais rápido
Seja lá quem estivesse dentro do saco,
parou de se mexer. O homem retirou o saco. E tirou a bandagem da vitima. Ali
estava uma mulher, mas por algum motivo era como se eu não conseguisse me concentrar
nos detalhes dela. Senti um nó na garganta. De alguma maneira eu sabia que ela devia
ser muito importante para mim, por algum motivo queria gravar em minha mente cada
detalhe do rosto dela, mas não conseguia
O que aconteceu depois certamente
seria capaz de me fazer gritar... Se eu estivesse de olhos abertos.
É, talvez eu seja mais fraca do que
penso
Tanto faz, agora não me importo mais,
eu só quero pegar aquele idiota que fez isso e dar uma boa surra nele. Mas ele disse...
Um pai? Cara, por que tive que me lembrar disso?
Eu pensei tudo isso enquanto
ouvia a mulher chorando baixo. Der repente parou.
Abri os olhos e vi uma cena
diferente. O homem corria pela floresta, aparentemente atrás de alguém. Ele
resmungava sobre ter sido idiota e baixado a guarda e sobre uma “fugitiva
idiota” então eu achei que provavelmente a mulher tinha fugido, e ele... Bem,
talvez estivesse com medo de ser preso? Não sei, só sei que ele não iria deixá-la fugir
Quando ele a encontrou, estava rodeada
por figuras estranhas, mas agora acontecia o mesmo que aconteceu com a minha mãe.
Eu não conseguia ver como eles eram, mas sabia que não eram humanos
Ele parecia irritado, mas aparentemente
achou que ela não valia a pena o esforço e foi embora
Sai do transe, agora realmente
era eu, não aquele idiota
Mas eu estava no que parecia ser uma
masmorra
Ouvi a voz de um homem
― É uma pena
o que aconteceu, ouvi falar que aquela garota era muito talentosa.
― Realmente,
Ester era nossa maga. Ela fazia aquilo que os soldados normais não podiam fazer
Me espantei ao reconhecer a voz
de Alexandro. Afinal, por que estão falando de mim como se estivesse morta?
Meu cabelo caiu sobre meu rosto. Cabelo
loiro. Mas espere, eu sou morena!
Então me lembrei da sensação que
senti ao ver o homem, me lembrei que o mago superior me dissera uma vez que
algumas criaturas tinham sua própria aura. Certo, então meu “querido papai”
(infelizmente eu não podia negar essa parte) me dava medo por que eu sentia que
ele era um feiticeiro do pior tipo. Alias, se bem me lembro, era possível
trocar os corpos de duas pessoas, mas proibido, por ser terrivelmente mais difícil
reverter a transformação. Bem, ninguém nunca reclamou dessa ordem
― Ela tinha família?
Amigos? Será difícil dar a noticia para eles
― bem, não, ela
chegou aqui há pouco tempo
― entendo.
Uma fina faixa de luz saia de um dos
cantos da sala, me aproximei de lá para olhar, porem o sol parecia queimar minha
pele
― mas como...
o que está acontecendo?
Algo me passou pela cabeça. Levei
a mão á boca e senti meus incisivos mais pontudos do que nunca.
Meus queridos leitores. Existe algum? Se existir, pelo menos de um sinal. Basta dizer "Eu estou aqui" Pû favor
Alias, mascote de hoje, é a Perlla (aquela fofís)
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